RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL, FILANTROPIA E INVESTIMENTO SOCIAL
Você realmente sabe o que isso significa?Em outras palavras, a responsabilidade social da atividade de negócios é econômica por natureza, pois a instituição de negócios é a unidade econômica base de nossa sociedade e subentende a competência e a excelência na gestão capaz de gerar lucros suficientes e adequados.
A responsabilidade legal corresponde às expectativas da sociedade de que as empresas cumpram suas obrigações de acordo com o arcabouço legal existente, ou seja, simplesmente elas devem cumprir a lei.
A responsabilidade ética refere-se ao reconhecimento de que as empresas, dentro do contexto em que se inserem, tenham um comportamento apropriado de acordo com as expectativas existentes entre os agentes da sociedade. Ou seja, a organização socialmente responsável precisa ter um comportamento ético reconhecido pela comunidade onde se insere.
Por fim, a responsabilidade discricionária (filantrópica) reflete o desejo comum de que as empresas estejam ativamente envolvidas na melhoria do ambiente social.
Considerando então a abrangência do enunciado sobre o conceito de RSE e a divisão proposta nas quatro dimensões dessa responsabilidade, podemos afirmar que RSE é muito mais do que dimensão filantrópica, sendo está ultima, porém, talvez a mais visível, normalmente confundida como a representante maior de exercício da RSE. Quem sabe o conceito de FILANTROPIA que diz ser uma “ação social externa, que tem como beneficiária principal a comunidade em suas diversas formas (ONGs, associações comunitárias, etc.)”, explique essa visibilidade por ser a mais diretamente percebida pela comunidade como uma “ação do bem”.
Mas mesmo esses conceitos fundamentais e as posturas decorrentes adotadas pelas organizações que assumem sua responsabilidade social têm experimentado mudanças, ou melhor, evoluções, que resultaram num novo conceito hoje adotado por boa parte dessas organizações, o que chamamos de INVESTIMENTO SOCIAL PRIVADO (ISP).
Essa filantropia empresarial praticada em outros tempos era caracterizada por certo desprendimento na doação esporádica de recursos e pela ausência de um diagnóstico mais completo e técnico de reais necessidades, de avaliação de impactos e de compromissos com resultados concretos. O ISP incorpora novos elementos, apropriando-se de ferramentas comuns ao universo empresarial, como planejamento, definição de metas e objetivos e monitoramento de resultados. Mais do que isso, institucionaliza e torna mais profissional a ação social dirigida à comunidade.
Se nos tempos da filantropia era suficiente que um projeto social de empresa viesse carregado de boas intenções, na época do ISP a sua qualidade está diretamente relacionada a quanto, de fato, transforma a vida de uma comunidade.
Essas mudanças e aperfeiçoamentos na ação social, decorrentes do entendimento da responsabilidade e do papel social das organizações, têm se refletido num visível aprimoramento na eficácia dessas ações, observado através de projetos e atuações muito mais bem planejadas, operadas e com resultados muito mais efetivos.
Engloba ainda um modelo de cooperação e de alianças estratégicas que elevam o efeito benéfico dessas mesmas ações, favorecendo as pessoas diretamente e a preservação do meio ambiente. No fundo é isso que vai permitir a sustentabilidade do planeta e das organizações.
Mas, finalmente, se você gestor ainda não foi “tocado” pela importância do papel social da sua organização, lembre-se sempre de que sua empresa é muito mais “social” do que parece, se não vejamos:
O nome oficial da empresa é razão social. O documento que formaliza uma empresa é chamado contrato ou estatuto social. O local onde ela opera é chamado de sede social. O objetivo de a empresa existir, que consta do estatuto, é o objeto social. Para terminar, todos os recursos financeiros acumulados para a existência da empresa constituem o capital social.
Será que você ainda acha que sua empresa não precisa assumir a responsabilidade social dela? Pense nisso!
Omar Gonçalves Aguiar é professor dos MBAs do Cedepe Business School (CBS) e diretor executivo da NegóciosPE.

