A oferta nem sempre é uma oferta
Por Darrell MarinhoO cidadão comum chega a um dos milhares de caixas eletrônicos espalhados por nosso país e, assim que coloca seu cartão, vem a informação: “Você tem um crédito pré-aprovado de R$ 20.000,00”. Ele finge que não vê, continua acessando sua conta e, ao retirar o extrato, seu saldo contempla o valor real da conta mais um adicional mágico chamado “cheque especial”. Agora ele tem a opção de mais R$ 5.000,00, o que facilitaria o pagamento das dívidas, comuns neste início de ano, ou mesmo ajudaria a comprar aquela tão sonhada TV 3D. Chega em casa, olha o extrato do cartão de crédito e aparece um limite para saque, além do limite de crédito, este que sistematicamente o cartão vem aumentando, conforme o cliente vai tendo histórico de relacionamento e pagando em dia.
As ofertas de crédito são muitas e, por causa disso, a concessão de crédito vem crescendo mais que a renda dos trabalhadores. Apesar dos elevados ganhos reais de renda em 2010 e 2011, o ritmo de crescimento do crédito é maior. Além da oferta no caixa eletrônico, no extrato e na internet, sem falar do nosso amigo gerente do banco, o que tem permitido o crescimento do crédito em ritmo mais rápido do que a renda é o alongamento dos prazos e a tendência de queda da taxa de juros do crédito nos últimos anos.
O volume total de crédito no sistema financeiro cresceu 19% em 2011 ante 2010 e atingiu R$ 2,029 trilhões em dezembro do ano passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central (Bacen). Desse montante, 58,3% já é de crédito consignado, uma modalidade que vem ganhando espaço e que deveria ser a primeira a ser analisada em caso de necessidade de crédito.
As taxas cobradas no consignado estão bem abaixo em relação às praticadas no crédito direto ao consumidor (CDC), no cheque especial e principalmente no rotativo do cartão de crédito. Segundo o Bacen, a taxa média praticada no mercado em dezembro de 2011 para o consignado estava em 2,01%, enquanto no crédito pessoal (excluindo o consignado) chegava a 4,41%.
Alie a tudo isso o fato de que no consignado você não precisa de avalista, fiador e em muitos casos nem precisa estar limpo no SPC e Serasa. O desconto é realizado no seu contracheque e você já sabe quanto vai pagar até o fim do plano.
Bom, não é? Depende. Na maioria das vezes, as pessoas se endividam por coisas supérfluas. Mas, se houver a real necessidade, como motivo de saúde ou quitação de uma dívida mais cara, como o cheque especial, o consignado pode ser uma ótima opção.
Contudo, precisamos mudar os hábitos. Normalmente temos o costume de pesquisar qual loja vende mais barato esse ou aquele artigo. Com tanta oferta de crédito, devemos também pensar qual é a melhor opção para nossa necessidade, e não simplesmente aceitar a que aparece em nossa tela, seja a do caixa eletrônico ou de nosso iPad. Sem esquecer, claro, que, além da questão do preço, temos que aliar o fato de procurarmos uma instituição que nós conheçamos e principalmente em que possamos confiar.
Darrell Marinho é diretor executivo da Rede Banorte Matriz. darrell.
marinho@banortematriz.com.br

