Aprendendo com a crise
Conversa informal, com Beto Lago
“Não podemos nos dar ao luxo do imobilismo. Tudo é de urgência. O governo precisa agir rápido”. Quem diz isso é o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias e presidente do Conselho da MRV Engenharia, Rubens Menin. Esse é o perfeito olhar que o empresário da construção civil precisa ter neste momento de dificuldades, de incertezas na economia nacional.
O Governo Federal precisa começar a passar um clima de mais confiança, e até mesmo de responsabilidade, para que o setor que mais gera renda e emprego no País não sofra prejuízos. Até abril, a poupança acumulou saques de R$ 29 bilhões e tem projeções que apontam, caso o ritmo continue assim, de chegar ao final de 2015 com uma saída líquida de R$ 75 bilhões. Isso seria 60% do financiamento imobiliário feito em todo o ano de 2014, de R$ 112 bilhões.
Para tentar reverter este quadro, algumas ações foram apresentadas, como o aumento do crédito à casa própria, liberando os bancos a utilizarem R$ 22,5 bilhões dos depósitos da poupança e a linha de crédito junto ao FGTS para os pró-cotistas. Pouco? Acredito que sim, ainda mais pela necessidade de reaquecer um segmento que vive essas incertezas após a Operação Lava-Jato e os cortes pesados no orçamento da União, atingindo projetos estruturadores como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida.
Mas, ao trazer o olhar para Pernambuco, o momento não é visto com tamanha preocupação pelo setor. A chegada da Fiat ao Litoral Norte do Estado pode servir como contraponto ao desaquecimento em Ipojuca e aos problemas com a refinaria e o estaleiro em Suape.
O mercado imobiliário está se ajustando. Os preços dos imóveis tendem a manter ou até mesmo a cair de preço. Quem precisa comprar, vai buscar a melhor forma de adquirir sua casa própria. Quem fugiu do mercado foi o especulador, o grande responsável pelo salto nos valores dos imóveis. Não é à toa que Recife é a quarta cidade com o metro quadrado mais caro do País.
O Governo Federal precisa criar novos mecanismos para manter aquecidas as construtoras, irrigando o programa Minha Casa, Minha Vida, que pode dar um fim ao déficit habitacional do País. Quem sabe, não chegou a hora de se pensar em uma política habitacional? O momento pode não ser favorável, como alguns anos atrás, mas quem souber aproveitar as oportunidades para crescer terá mais gás no momento que a situação virar, como disse Rubens Menin, logo no início deste texto.
Crises não são eternas. Esta veio e vai embora, assim como aconteceu com todas as outras. Precisamos acreditar e trabalhar para sair deste momento.
Beto Lago
Editor-Executivo
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