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O clube de TI do Recife

Por Shirley Pacheco especial para a Negócios PE

José Cláudio: "Pernambuco precisa olhar a tecnologia da informação sobre a perspectiva de desenvolvimento estrat[egico".

O SoftexRecife foi um dos precursores na luta pela implantação do cluster de Tecnologia da Informação no Estado. Já na última década, dedica-se a promover a qualificação de empresas para que ampliem seus negócios no mercado nacional e internacional.

Uma das instituições mais atuantes para o desenvolvimento das empresas de tecnologia no Brasil acaba de completar 20 anos. Fundado em 1994, o Centro de Excelência em Tecnologia de Software do Recife (SoftexRecife) reúne hoje mais de 90 organizações de TIC em Pernambuco e faz parte de uma rede nacional de entidades sem fins lucrativos que visam à melhoria do setor. O SoftexRecife foi um dos precursores na luta pela implantação do Porto Digital e, na última década, age na qualificação das companhias para que elas ampliem seus negócios com vistas ao mercado nacional e internacional.

Muitos leitores podem não lembrar, mas até o polo de informática se tornar uma realidade em Recife e conhecido em todo país, uma longa batalha foi capitaneada pelo SoftexRecife. “A primeira década do SoftexRecife foi um momento muito importante para o setor. Naturalmente, as empresas, a academia e os governos têm interesses diferentes. É um problema difícil de solucionar. Mas, o Softex foi o intermediador desse processo, que aproximou os atores e criou uma representação positiva sem anular as demais forças políticas”, recorda o diretor da In Forma, Ismar Kaufman, um dos mais antigo membro da associação.

Antes do Porto Digital ser concebido, a meta era a construção do Information Technology Business Center (ITBC), um “shopping de tecnologia”. O empresarial seria o primeiro fruto da parceria dos três entes com intenção de impulsionar o segmento. Mas, problemas no repasse do imóvel e durante a reforma atrasaram o projeto que se concretizou em 2010. Mesmo assim, o ITBC - atual sede do Softex – representa um marco para o setor. O prédio abriga mais de 40 empresas e 600 funcionários. Possui também uma fila de empresas a espera da oportunidade de ocupar uma sala no edifício, localizado na Rua da Guia, no coração do Recife Antigo.

“No começo, pensava-se só na construção do ITBC. Depois, quando se reconheceu a necessidade de ampliar o conceito do cluster de TI, chegou-se ao modelo do Porto Digital. Foi uma luta conjunta. Mas, o ITBC é um marco, é a nossa casa. Ele se tornou um ponto de articulação das empresas e de convivência das pessoas do setor. Foi um ponto fundamental dentro do que chamamos do movimento do Porto Digital, pois nós mantemos uma ação conjunta, uma parceria permanente”, afirmou o diretor da Procenge e presidente do SoftexRecife, José Cláudio de Oliveira.

Com o Porto Digital instalado e caminhando bem, a associação saiu de um papel de gestão e evoluiu, nos últimos 10 anos, para uma atividade mais arrojada: melhorar a qualidade do produto e a competitividade das organizações. “O SoftexRecife tem se dedicado à promoção do setor de três formas: preparar os executivos e profissionais com uma capacitação acima do que as universidades oferecem; certificar as empresas em qualidade e excelência em software; e realizar ações para alavancar os negócios das empresas pernambucanas”, detalha José Cláudio.

Para aperfeiçoar o processo de criação de programas e fazer as companhias conquistarem novos quinhões de mercados, o SoftexRecife se tornou agente de implantação e um avaliador dos selos de qualidade em desenvolvimento de software, chamados de MPS-sv e MPS-sw. Chegou também a criar um modelo próprio de excelência em teste de software: o MPT.Br. Os três são certificações reconhecidas nacional e internacionalmente, capazes de refletir diretamente na melhoria do faturamento das companhias e no desenvolvimento do setor.

Eduardo Paiva é coordenador executivo da SoftexRecife

“As certificações fazem toda diferença no nosso mercado, que é muito competitivo e dinâmico. São uma credencial para a empresa se apresentar e conquistar o cliente. Além disso, cada vez mais, elas são pedidas nas licitações realizadas por órgãos públicos”, comenta o diretor da RH3, Patrick Gouy, cuja empresa está há 9 anos no mercado. Segundo o SoftexRecife, os benefícios apontados por Gouy não são apenas impressões. Um levantamento feito pela associação apontou que as companhias ao conquistarem esses selos registram um aumento médio anual de 26% no faturamento, enquanto a expansão média das demais organizações de TI fica em torno de 13%.

Hoje, 45 empresas já possuem o selo MPS (software e/ou serviço), por meio da instituição recifense. Elas estão sediadas em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Outras 35 organizações – de estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sudestes – conseguiram alcançar a excelência em teste e ganharam o carimbo MPT.Br. Afora a iniciativa individual das empresas, esse número também é o resultado de parcerias realizadas com o Sebrae/PE e Sebrae/RN, que possibilitaram a redução dos custos ao nível de 30% do valor praticado pelo mercado.

Para o futuro, o presidente do SoftexRecife, José Cláudio de Oliveira, adianta que novas lutas já estão em pauta e defende mais atenção ao segmento que produz hoje as maiores empresas no mundo. “Pernambuco precisa olhar a tecnologia da informação sobre a perspectiva de desenvolvimento estratégico e calçar as empresas para torná-las maiores. Fábrica de automóvel não leva mais ao futuro. Essa é a nossa pauta e vamos aprofundar a discussão. O estado tem a vantagem de ter uma plataforma criada. Agora é preciso que as forças políticas e econômicas olhem ainda mais o setor com o lado do investimento”, finalizou, revelando que o tema já foi bem recepcionado pelo governador eleito Paulo Câmara.

Guia de Tecnologia da Informação - 1ª Edição
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