Perspectivas para o jovem advogado
Por Ronnie Duarte
Já se vão quase 30 anos e a lembrança não me deixa a memória: a minha primeira audiência judicial. Contava exíguos 6 anos de idade e, acompanhando meu pai durante as férias escolares, travei os primeiros contatos com o cotidiano forense. Fui um infante irremediavelmente seduzido pela advocatura, uma imorredoura paixão que ainda hoje nutro pela profissão de advogado.
Atualmente, impressiona o pouco interesse que a advocacia desperta entre os jovens bacharéis. O contato mantido com os alunos, desde os primeiros anos no curso de direito, revela a escancarada predileção dos discentes pela “carreira” dos concursos. Ignorando a orientação vocacional, quer-se a estabilidade e a segurança decorrente de um vínculo com o Estado, qualquer que seja ele.
A verdade é que a juventude alimenta uma ideia equivocada no que se refere ao mercado da advocacia. Dissemina-se a falsa impressão de que o sucesso na advocacia é algo inacessível aos desprovidos de vínculos com profissionais do Judiciário. Na verdade, a advocacia é uma profissão eminentemente técnica, que se ressente do desinteresse dos jovens talentos, presentemente ávidos pela aprovação em concursos públicos.
É induvidoso que o quadro atual abre excelentes perspectivas para aqueles que olharem a advocacia como uma sedutora opção de carreira. Há uma migração para os concursos, o que já faz o mercado se ressentir da ausência de indivíduos qualificados, que invistam no aperfeiçoamento técnico-profissional e que tenham experiência acumulada em áreas específicas do direito. É crescente a necessidade de quadros que ofereçam um diferencial em termos de qualidade técnica.
A clientela vem desmistificando a sobrevalorização do advogado generalista que sobrevive à custa de “relacionamentos” mantidos com figuras do Judiciário. Já ouvi de vários empresários queixas dirigidas a profissionais que, pagos regiamente, nada contribuíram para o êxito da demanda. Grassa a certeza de que relacionamentos pessoais do advogado são, via de regra, irrelevantes para o desfecho de uma demanda judicial.
De outra banda, a qualificação técnica, a dedicação, o compromisso com o cliente e a aptidão do profissional são aspectos determinantes para o sucesso de uma postulação veiculada em juízo. A clientela passa a perceber que a advocacia também exige uma preocupação permanente com a educação continuada, abrangendo a realização de cursos e hábitos de vida que envolvam uma dedicação aos estudos.
Aqueles que conseguirem atender a tais exigências, perseverando na prática advocatícia, serão galardoados com um futuro promissor: realização profissional plena e o inexorável conforto financeiro dela decorrente.
Ronnie Duarte é advogado e diretor-geral da Escola Superior de Advocacia da OAB-PE.

