Reflexões para a Ordem
Por Júlio Oliveira
A advocacia pernambucana comparecerá às urnas neste término de segundo semestre de 2009 com a tarefa de escolher, pelo voto livre, direto e democrático, os seus novos representantes no Conselho Estadual da OAB. Atendendo à convocação de diversos segmentos, aceitei a indicação da candidatura pela oposição à presidência da OAB-PE, instituição que presidi, com muita honra, no triênio 2004/2006.
Ao longo dos últimos anos vivenciei profundamente as questões pertinentes ao exercício profissional e sua relação com a nossa OAB, que se traduziu em contatos com a advocacia pernambucana. Tais questões foram amadurecidas e sintetizadas num “breviário de campanha” distribuído via e-mail a todos os advogados, da capital ao interior, do litoral ao sertão.
Esse “breviário” parte das seguintes premissas e constatações: o combate à morosidade da Justiça com medidas como a implantação de dois turnos no Judiciário estadual; a promoção da integração do advogado em todo o Estado a partir, por exemplo, de uma “ouvidoria itinerante”; o cuidado com a valorização profissional, a partir da defesa intransigente das prerrogativas dos advogados, que, em maior análise, são (e precisam continuar a ser) salvaguardas do Estado de direito; a inclusão digital, do que é ótimo exemplo o atendimento on-line.
Move-nos, portanto, a vontade de fazer melhor, de ousar, de resgatar o ativismo hoje adormecido da OAB-PE, de trazer o advogado de volta para o seu convívio, inclusive tornando públicas as suas sessões, e de recolocar a Ordem comprometida com a justiça social, colaborando para o advogado voltar a repensar sua relação com o mundo.
Temos a consciência, como escreveu Fernando Pessoa, de que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Por isso queremos uma OAB que fiscalize a qualidade do ensino jurídico, que combata a competição predatória, a mercantilização da profissão, que esteja ao lado do advogado iniciante e do advogado do interior, sempre de portas abertas para todos os que dela necessitem.
Por tudo isso, compromissado com uma campanha de alto nível, que leve o advogado a se atualizar na sua profissão frente a um mundo mutante e imprevisível, ao lado das várias necessidades do seu atuar no “tecido social”, e cumprindo os ditames do nosso Código de Ética, espero poder contar outra vez com o voto de confiança dos colegas advogados pernambucanos para presidir, no triênio 2010/2012, a nossa gloriosa OAB-PE.
Júlio Oliveira é advogado e já ocupou a presidência da Seccional Pernambuco da OAB, função à qual é candidato nas eleições deste ano.

