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Repensar na crise

Consultores explicam como auxiliar as empresas diante do quadro de instabilidade econômica por que passa no Brasil

Por Beto Lago, com fotos de Carius Franclie

Scrise econômica bate às portas das empresas. E é diante deste cenário complicado no Brasil que a procura por consultorias vem sendo o primeiro passo para se buscar a redução de custos e mudanças no rumo estratégico.

O empresário brasileiro está começando a entender que a presença de um consultor poderá dar vida nova à sua empresa. Com menos dinheiro na praça e com mais dificuldade para buscar crédito nas instituições bancárias, as empresas tendem a ter problemas de faturamento. O que fazer para as empresas começarem a entender e a se adaptar às novas necessidades dos clientes, que começam a mudar de atitude e estão mais temerosos em gastar?

Segundo Jorge Vasconcelos, sócio da Absoluta Contabilidade e diretor administrativo do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de Pernambuco (Sescap-PE), o atual cenário da economia nacional exige um maior foco no negócio. “Esse é um momento de revisão de toda a estrutura operacional e financeira, uma adequação de todos os custos, um equilíbrio no fluxo de caixa e um novo planejamento estratégico”.

Claro que conter essa extrema aflição do mercado acaba sendo o papel do consultor. “As empresas estão preocupadas quanto ao futuro diante deste quadro. Nunca se pensou tanto no futuro como se pensa hoje. E o pior: ninguém sabe qual o futuro da economia. O que sabemos é que precisamos ter uma ação imediata”, diz Jorge Vasconcelos.

Opinião compartilhada pela consultora Gabriela Didier, da Action Treinamentos & Coaching. Ela vê o mercado desesperado com esta crise, com o varejo sofrendo bastante e, como consequência, afetando outros setores.

“As empresas estão tendo queda nas vendas de 20%, 30%. Se o varejo cai, a indústria vai também em queda. Lojas estão fechando e alguns empresários estão entrando em uma linha de desespero”, explica.

Diretor-executivo da ACTBel RH – Assessoria e Consultoria Técnica em Recursos Humanos, Carlos Alberto Valença vê o mercado apreensivo, com segmentos mais afetados. Ele cita os setores naval, de petróleo, de infraestrutura e da construção civil com maiores problemas.

“São empresas que investiram fortemente em produtos que precisam de componentes importados e algumas com produtos voltados às classes C e D também estão dificuldades, como o setor de motos mais baratas”, explica.

“Procuro deixar claro”, diz Valença, “que o mundo não vai se acabar. Crises existem desde sempre, são cíclicas. Esta, é claro, tem um grande peso político, até maior que o econômico, e o País precisa fazer um ajuste fiscal, sim, para equilibrar o orçamento, que está mal administrado, com muitas concessões e programas assistencialistas que não se sustentam por muito tempo sem ter uma origem de recursos confiáveis”.

Mas, o que os empresários precisam fazer para sair deste momento de tamanha instabilidade financeira? Para o diretor da ACTBel RH, as empresas precisam rever custos, segurar investimentos programados, procurar atender mercados menos afetados e usar tecnologias que tragam melhores resultados.

“Essas novas tecnologias tendem a diminuir os desperdícios e falhas na produção de bens e prestação de serviços. As regras para concessão de crédito aos clientes devem ser revistas, pois o número de empresas prestes a entrar em recuperação judicial é grande, o que pode inviabilizar quem fornece para elas”, explica Valença.

Uma das pioneiras em Coaching em Pernambuco, Gabriela Didier dá dicas para evitar essa impaciência do mercado. “As empresas precisam parar com o pânico. E quando o dono da empresa começa a refletir este pânico, toda a equipe fica contagiada. Depois, é partir para uma reflexão clara sobre a fotografia da empresa, o que está sendo feito e o que pode ser melhorado, o que os concorrentes estão fazendo de diferente e o que se pode fazer para iniciar um processo de melhoria interna”.

Para a consultora, chegou a hora de mudanças estratégicas dentro das empresas. “O dono precisa entrar no negócio, passar a botar, mais do que nunca, a barriga no balcão. Ter a consciência de que é preciso salvar o seu negócio e ter a capacidade de reinventar, de criar um núcleo de inovação, com o pensamento fora da caixa”, explica Gabriela.

“Se o gestor achar que a mudança vai partir dos seus funcionários, não vai adiantar. O empresário tem que puxar a sua tropa neste novo caminho e ficar na frente da batalha, pensando em como salvar, pensando em reinventar o que está fazendo hoje”.

Segundo Jorge Vasconcelos, é hora de reduzir custos e a análise passa pela questão do desemprego. Para o diretor da Absoluta Contabilidade, as demissões que estão ocorrendo trazem mais despesas para as empresas, já que têm que pagar as custas, que podem afetar seus fluxos de caixa.

“Esse é o momento de fazer uma nova reflexão dentro das empresas, que passa pelos funcionários, mas principalmente pelo patrão”, explica Gabriela Didier. Segundo ela, a estratégia positiva do ano passado pode não ser a ideal para este momento.

“O que serviu na época das boas vendas pode não ser útil nesta situação de crise. É preciso saber e ter a consciência de que é preciso mudar”, declara. “É hora de reestruturar, de repensar, de remodelar, de refletir na gestão, inclusive no tempo que o empresário tem dentro da empresa. Se não fizer isso, ele vai quebrar”.

Muitas vezes, os empresários sentem dificuldade na hora de se adaptar a este novo cenário. É o momento certo de encontrar aquele patrão que conseguiu se reinventar para manter a empresa em ascensão ou, pelo menos, em funcionamento.

Inovar é a palavra-chave para Carlos Alberto Valença. E, para isso, será preciso encontrar pessoas adequadas e qualificadas para as posições estratégicas, decretar desperdício zero e investir em treinamento.

“É procurar entender, mais do que nunca, o que seu cliente está precisando e o que este cliente pode pagar para obter, utilizar com eficiência as ferramentas da tecnologia da informação para otimizar processos e estar disponível aos clientes antes da concorrência”, explica.

Outra preocupação de Jorge Vasconcelos, que também é diretor-administrativo do Sescap-PE, é com relação às dificuldades para se buscar crédito bancário. Ele cita um exemplo que acontece no seu escritório para mostrar o alto nível de exigência das instituições financeiras. “Antes, os bancos pediam as demonstrações financeiras de três meses das empresas. Hoje, querem mensalmente, querem saber o cenário atual, querem fazer uma medição mais imediata e ver o poder de determinada companhia em arcar com um futuro empréstimo”.

Nem mesmo o escritório de Jorge Vasconcelos passou ileso pela crise. “Nós também estimamos investimentos e crescimentos durante o ano. Estamos chegando ao final de 2015 e os números mostram que a gente não vai conseguir alcançar a meta estipulada. E o problema é que investimos em tecnologia e em formação profissional para chegar a esta conta, que não está fechando. Mas essa crise serve como um grande aprendizado para todos nós”.

Gabriela Didier elenca pontos-chaves que o empresário precisa traçar para sair desta crise:

• Definir missão, visão e valor que norteiam a empresa;

• Fazer uma análise da fotografia do negócio;

• Refletir sobre quais são os fatores-chaves para o crescimento do negócio? Quais as variáveis que afetam o desempenho da empresa? O que não pode nunca ser negligenciado dentro da empresa?

• Montar um mapa estratégico com as perspectivas importantes como financeiro, mercado, pessoal e processual;

• Criar um objetivo estratégico;

• E criar um plano de ação para resolver os problemas.

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