Saudade do Futuro
Conversa informal, com Beto Lago
Recebi o convite do jornalista e amigo, Drayton Nejaim, fundador e editor executivo da Revista Negócios PE, e aceitei a missão de ser o jornalista-chefe desta publicação. Um desafio e tanto na minha arreira. E logo como primeiro teste uma edição especial sobre o gestor Eduardo Campos. Foi um dos trabalhos mais envolventes que realizei nestes mais de 20 anos como jornalista profissional. Não apenas por fugir dos assuntos que venho trabalhando nestes últimos anos – política e esportes. Mas por descobrir um lado do ex- governador e candidato à presidência da República que não conhecia com profundidade, o de gestor público.
Foram várias entrevistas com secretários de Estado, presidentes de empresas públicas, economistas e políticos. Análises de dados e gráficos. Conversas com outras fontes para tentar, nesta edição especial, apresentar o empreendedor Eduardo Campos. Sobre o político, sobre o pai de família, todos conhecem bem. Mas, somente alguns tiveram a oportunidade de ter o contato com o gestor que gostava de cuidar do serviço público. Os números oficiais mostram que Pernambuco deu um salto considerável em todas as áreas vitais. Economia, investimentos, saúde, segurança, educação. E, em todas as decisões e ações, a visão estratégica de Eduardo Campos se fez presente. Determinado e obstinado, Eduardo Campos deixou um legado no modelo proposto e executado de gerenciar o Estado. Este modelo trouxe eficiência para o planejamento e para a gestão orçamentária. E respondeu pelo eco do seu Governo no Brasil e no exterior.
Nos poucos encontros que tive, em eventos sociais ou esportivos, Eduardo sempre se mostrou uma figura de conversa franca e aberta. De uma perspicácia impressionante. Colocasse qual fosse o assunto na mesa, estava pronto para o debate. Sempre sorridente, olhava direto para o personagem que fazia uma pergunta. Para intimidar? Nada disso, apenas por respeito a pessoa. E poderia ser um jornalista ou um homem do interior. Tratava do mesmo jeito.
Pernambuco não perdeu apenas um grande político, que seria, como frisou o economista Jorge Jatobá, em um futuro próximo o presidente da República. O Brasil perdeu um político que sabia empreender e, que poderia mudar o jeito de se governar um país com tamanhas desigualdades sociais e econômicas. Eduardo Campos fará falta. Como um político com especial habilidade para empreender e gerenciar. E pude comprovar isso nas conversas com nossos entrevistados. Para eles, agora é conviver com essa “Saudade do Futuro”, onde algo diferente poderia ter sido pensado para este Brasil.
Beto Lago
Jornalista-chefe
betolago@editoranegocios.com.br

