Tendências de Comportamento do Emprego em Pernambuco até 2017
.O mercado de trabalho foi fortemente afetado pela crise econômica recente, pois nos anos pós 2014 se associam no Estado duas tendências: a) a fi nalização da implantação de um amplo bloco de investimentos com numerosas obras de empreendimentos produtivos, imobiliários e de infraestrutura, e b) o aprofundamento da recessão na economia nacional atingindo a dinâmica do consumo, da produção e do investimento estadual.
No quesito emprego, observou-se a redução do ritmo das contratações para em seguida iniciar-se o movimento de demissões. A taxa de desemprego começa a crescer signifi cativamente no primeiro trimestre de 2015 e mantem trajetória ascendente nos meses iniciais de 2016. No último trimestre de 2014 se situava nos 7,6%, no ultimo de 2015 passa para 11% e no primeiro trimestre de 2016 chega a 13,3% (um crescimento de 75% em pouco mais de um ano). O volume de desempregados está estimado em 542 mil pessoas no primeiro trimestre de 2016.
Nesse contexto, o emprego formal foi fortemente atingido pelo movimento recessivo. A partir de 2015 o saldo entre os admitidos e os desligados começa a se apresentar negativo, no acumulado em 12 meses (Gráfico 1).
Em resumo, entre dezembro de 2014 e maio de 2016 a economia pernambucana queimou 149 mil empregos formais, o que representou 5,8% do total nacional, quando o PIB de Pernambuco pesa 2,6% do total nacional (CONDEPE/FIDEM, 2013) e 3,6% do total do emprego formal do país (MTe/RAIS, 2014).
O olhar para os próximos meses até o final de 2017 sinaliza para perspectivas não favoráveis para o emprego na economia estadual.
O ambiente econômico e político nacional continua impregnado de instabilidade e os sinais emitidos apontam para uma fase onde ajustes e reformas tendem a predominar, preparando um momento futuro de retomada que não se firmará no horizonte de 2017. No cenário mais provável a retomada do crescimento fica para 2018. No caso de Pernambuco, a CEPLAN estima que em 2016 o PIB estadual ainda terá redução próxima aos 3% e em 2017 ainda amargará queda no entorno de 0,5%, tendendo a apresentar resultado positivo em 2018 (aumento estimado de 1,5%).
Nesse contexto, o mercado de trabalho em Pernambuco deve continuar registrando alto desemprego até 2017 (mantendo a taxa de desemprego próxima aos 10%) com uma população ocupada estimada em 3,6 milhões de pessoas (incluindo os informais).
Nesses próximos meses, o Brasil deve experimentar mudanças no seu ambiente institucional e uma das reformas previstas atingirá o mercado de trabalho, tendendo a ampliar as terceirizações e alterar as regras de negociação. As tendências do emprego, portanto, serão mais nítidas em 2018.

